26
ago

A importância da interoperabilidade e integração da Defesa e da Segurança para as ações estratégicas conjuntas

A importância da interoperabilidade e integração da Defesa e da Segurança para as ações estratégicas conjuntas

Artigo de Delfim Ossamu Miyamaru, Diretor-Presidente da Fundação Ezute, publicado na edição de agosto da revista Tecnologia & Defesa.

Crédito da Foto: Secretaria de Segurança Pública do Paraná

A cada quatro anos, documentos da Política Nacional de Defesa (PND), da Estratégia Nacional de Defesa (END) e do Livro Branco de Defesa Nacional (LBDN) têm sido atualizados. Assim, em 22/07/2020, o Ministério da Defesa (MD) encaminhou uma nova versão dos arquivos ao Senado Federal. Por serem documentos de Estado e consolidados ao longo dos anos, a diferença entre as versões anteriores traz atualizações focadas em desafios contemporâneos que continuam envolvendo questões que vão desde a garantia da soberania, do patrimônio nacional e da integridade territorial até a ampliação do envolvimento da sociedade brasileira nos assuntos de Defesa Nacional, reforçando ainda, dentre outros, pontos como dissuasão, coordenação e controle, gestão da informação e desenvolvimento tecnológico de defesa.

Parte desses desafios envolvem Ações Estratégicas de Defesa (AED) para articular as três Forças Singulares, com ênfase na interoperabilidade; incrementar as capacidades das Forças Armadas para emprego conjunto; dar prosseguimento aos seus projetos estratégicos; incrementar suas capacidades para atuarem em operações interagências; e fazer com que contribuam na prevenção e no enfrentamento às redes criminosas transnacionais.

Como pode ser visto, a integração de sistemas e de informações é um tema recorrente na área de Defesa e Segurança, e debatido também em diferentes áreas como mobilidade urbana, saúde e educação.

É preciso investir no aperfeiçoamento dos sistemas de inteligência em Defesa e Segurança para unir todos os elos, baseado em uma visão de Sistema de Sistemas que permita a integração dos Sistemas de Vigilância e de Inteligência conduzidos por instituições do Governo ou por partes interessadas, em várias esferas, com diferentes graus de maturação e atendendo às especificidades de cada órgão ou agência para o cumprimento de suas respectivas missões.

Essa integração de sistemas visa permitir a análise dos dados e de informações e a formulação de diagnóstico conjuntural de diversos cenários em prospectiva político-estratégica, operacional e tática, nos campos nacional e internacional. Além disso, objetiva promover os processos relativos a cada cenário operacional, alinhando as atribuições e o fluxo de informações das partes interessadas, aprimorando e agilizando a tomada de decisão e o planejamento de curto, médio e longo prazos.

Com a aplicação de soluções de sistemas de tecnologia de informação, a integração dos dados propicia aumento da consciência situacional e maior eficácia no planejamento de operações e missões conjuntas de Segurança e de Defesa. Os sistemas, operando de forma integrada, fornecerá informações qualificadas de interesse, não apenas no preparo e execução das operações conjuntas, mas também o compartilhamento de informações interinstitucionais para que cada um dos órgãos e agências cumpram suas missões e atribuições específicas.

As ações de Segurança e de Defesa são fundamentais para a proteção diante das ameaças e também para a Garantia da Lei e da Ordem (GLO). A proteção das fronteiras: do ar, do mar, da terra e do espaço cibernético é necessária, pois estes desconstroem a segurança e ameaçam o cidadão. Portanto, especial atenção deve ser dada aos vetores que introduzem tais ameaças, caracterizam vulnerabilidades e dispersam a estabilidade do Governo.

Como canalizar e incrementar esforços para se estabelecer a paz interna e o desenvolvimento do País e a satisfação da sociedade? Há um mundo complexo que precisa ser visto com informações integradas e conhecimentos de alto valor agregado que impulsionem o esforço do Governo, a fim de que as instituições operem no topo de sua potencialidade e não no chão de sua capacidade, seja atuando de forma singular, seja em conjunto.

Cada instituição possui sua própria cultura, filosofia, objetivos, práticas e habilidades e essa diversidade é a força do processo interinstitucional, proporcionando um somatório de conhecimentos na busca de um objetivo comum. Para que isto seja atingido, há a necessidade de uma integração dos muitos pontos de vista, de capacidades e de opções. O desafio, em todos os níveis, é identificar os recursos adequados à solução de um problema e trazê-los para o processo de atuação integrada das instituições.

Por fim, é certo que por meio do conhecimento da complexidade dos sistemas operacionais, em uso para Defesa e Segurança, além do domínio dos processos de Engenharia de Sistemas, torna-se factível projetar e implementar sistemas que propiciem a interoperabilidade e a integração interinstitucional a partir de aplicação da tecnologia para construção de soluções de Sistemas de Sistemas.

8
jun

A Praticidade dos Use Case Maps

A Praticidade dos Use Case Maps

por Ademir Barba, Desenvolvedor de Sistemas da Fundação Ezute

 

Escrevi este texto para auxiliar as pessoas que necessitam de uma ferramenta simples e prática para etapas iniciais de um projeto de sistema: o diagrama de Mapas de Casos de Uso (UCM – Use Case Maps).

Usei esse diagrama em meu trabalho de mestrado para representar o modelo de domínio da solução arquitetural de um sistema baseado em agentes para a adaptabilidade de serviços em IoT (Internet das Coisas).

Segundo Buhr e Casselman (1995), o nome desse diagrama vem do fato de que ele é uma representação visual e uma extensão em alto-nível do diagrama de casos de uso. Apesar disso, a existência dos UCM não depende da existência dos diagramas de casos de uso.

O principal objetivo dos UCM é ajudar as pessoas a se expressarem e raciocinarem sobre o projeto de alto-nível dos padrões de comportamento de grande granularidade de um sistema. Isso significa que esses diagramas não se destinam a fornecer especificações completas do comportamento de um sistema e sim providenciar pistas sobre esse comportamento.

A Figura 1 mostra um exemplo bem simples de UCM. No exemplo, os retângulos representam elementos que compõem o sistema, que podem ser componentes, agentes ou até mesmo objetos. O símbolo X representa uma responsabilidade de um dos elementos do sistema. O círculo pintado representa o ponto de partida de um caminho. Esse ponto de partida é uma pré-condição para início da interação entre os elementos do sistema em um dado cenário. O caminho é a linha que liga as responsabilidades dos elementos do sistema e representa o fluxo de interação entre esses elementos. A linha | é o fim desse fluxo e representa as pós-condições resultantes da interação dos elementos de um sistema em um dado cenário.

Figura 1 – Exemplo de UCM

A Figura 2 exibe o mapeamento desse diagrama para a representação de peças de software de um MAS (Multi-Agent System). Esse mapeamento foi baseado no trabalho de Elammari e Issa (2013).

Figura 2 – Aplicação de um diagrama UCM em um MAS

Fonte: Baseado no trabalho de Elammari e Issa (2013)

A Figura 3 é um exemplo dos diagramas criados na pesquisa mencionada. Ele descreve a interação de um agente de serviço (que atende aos requisitos levantados no trabalho) com os demais agentes do sistema.

Figura 3 – Tarefas relacionadas com a interação de um serviço com seu ambiente

Como é possível notar, esse diagrama é flexível o suficiente para representar diversos níveis e ou elementos de um sistema. Portanto, espero que este texto seja útil para quem esteja procurando um modo simples, fácil e rápido de gerar uma visão conceitual inicial de um sistema complexo, composto de diversas peças de software, sejam elas programas completos, bibliotecas, módulos, objetos, agentes, serviços web, etc.

Referências:

BUHR, R., J., A.; CASSELMAN, R., S. Use Case Maps for Object-Oriented Systems. 1 ed. EUA: Prentice Hall College Div., 1995. cap. 3. pp. 34-55.

ELAMMARI, M.; ISSA, Z. Using Model Driven Architecture to Develop Multi-Agent Systems. Faculdade de Informação e Tecnologia, Universidade de Benghazi, Líbya – The International Arab Journal of Information Technology, V. 10, N. 4, p. 349-355, julho 2013. Disponível em: <http://ccis2k.org/iajit/PDF/vol.10,no.4/4341.pdf>. Acesso em: 12 out. 2015.

1
jun

OPORTUNIDADES E AMEAÇAS NO USO DE DRONES

Oportunidades e ameaças no uso de Drones

por Delfim Ossamu Miyamaru, Diretor-Presidente da Fundação Ezute

Os drones, como são popularmente conhecidos os RPAS (Remotely Piloted Aircraft System) ou os UAV (Unmanned Aerial Vehicles), juntamente com seus sistemas de controle e de processamento, são tecnologias resultantes da inovação disruptiva que agora fazem parte do nosso cotidiano.

A adoção da tecnologia dos drones para aumentar a eficiência e a produtividade em diversos setores da economia saiu do patamar de aplicação de uma tecnologia disruptiva para o uso de commodities, com diversas aplicações comerciais e corporativas, bem como para o aumento do poder de defesa e de combate militares.

Esse é um mercado com taxa expressiva de crescimento anual, e expectativa de superar US$ 80 bilhões nos próximos cinco anos.

A área de Segurança Pública tem iniciado o uso de drones para prestar o serviço de segurança aos cidadãos, realizado a partir de captação de imagens em tempo real para monitorar e identificar pessoas suspeitas, utilizando tecnologias de reconhecimento facial.

Por outro lado, requer-se a implantação de barreiras de voo de drones no espaço aéreo no entorno das penitenciárias, onde esses instrumentos estão sendo utilizados para realizar entregas aéreas de drogas, celulares e armas aos presidiários.

Os desafios na área de Segurança Pública são mais evidentes ao se verificar a facilidade de seu uso para o carregamento de explosivos em conflitos assimétricos, , bem como nas situações de enfrentamento e ataques dessas organizações contra forças policiais.

Adicionalmente, a globalização da economia estimula um alto fluxo comercial transnacional na faixa de fronteira entre países. Assim, a preocupação com o transporte de produtos utilizando drones cruzando as fronteiras é outro fator de preocupação das autoridades.

Já as autoridades aeroportuárias e de controle de espaço aéreo têm investido para buscar soluções tecnológicas que permitam detectar drones nas imediações dos aeroportos, de modo a manter a segurança de pousos e decolagens de aeronaves tripuladas.

Diante das últimas ocorrências de voos de drones nas proximidades dos aeroportos no Brasil, o Departamento de Controle de Espaço Aéreo – DECEA empreendeu ações na busca de soluções, visando evitar a suspensão do fluxo da navegação aérea e manter o nível de segurança requerida no transporte aéreo.

O DECEA convidou a indústria de sistemas para participar de testes de avaliação, visando capacitar as autoridades brasileiras, seja da área de Defesa, de Inteligência, de Ensino e Pesquisa, de Segurança Pública e Privada,  de Gerenciamento do Espaço Aéreo e das Concessionárias de Aeroportos, a tomar decisões consubstanciadas para a busca de soluções na implantação de sistemas de contenção adequados para detecção, identificação e neutralização de drones nos espaços aéreos de uso restrito e proibitivo.

Em meio a esse crescimento significativo, as entidades responsáveis pelo gerenciamento do espaço aéreo estabeleceram regras para solicitação de registro dos sistemas de drones e autorização dos seus voos, visando prover uma convivência harmoniosa e segura com as aeronaves de asas fixas e rotativas.

Buscando aprimorar essas regras, a FAA (Federal Aviation Adminstration), entidade responsável pela regulação e todos os aspectos da aviação civil nos Estados Unidos, busca implantar a tecnologia Remote ID (Remote Identification), exigindo que todo drone envie a um sistema de registro as suas informações, quando em voo, bem como do seu piloto, como identificação, localização e altitude.

Diante do seu teor, que abrange ainda assuntos tais como pagamento de taxas, capacidade de comunicação 4G e informação aberta da situação do voo e da localização do piloto, esse regulamento está sendo debatido com a indústria e com os usuários de drones.

Os drones serão cada vez mais aplicados como artefato militar em operações militares, principalmente devido ao seu baixo custo de operação, capacidade de execução de missões em locais de difícil acesso e pelo fato de evitar a perda de vidas humanas.

O mercado e as áreas de aplicação de drones devem crescer ainda mais, induzindo a indústria a evoluir e se aperfeiçoar, tornando-os ainda mais baratos, leves,  miniaturizados e com tecnologia e inteligência que proporcione mais segurança e autonomia de voo, com a perspectiva de não requerer a pilotagem remota, tornando-os efetivamente um veículo aéreo autônomo confiável (efetivo e eficiente).

Esse crescimento na quantidade e qualidade dos drones vai exigir que o os sistemas de gerenciamento de espaço aéreo se tornem mais precisos, permitindo a convivência harmoniosa dos voos de drones com as aeronaves de asas fixas e rotativas. Torna-se vital a adoção de novas tecnologias de comunicação e rastreamento desses veículos voadores, com entrada em operação real de soluções de UTM (Gerenciamento do Tráfego Aéreo de Aeronaves Não Tripuladas) integradas com o ATM (Gerenciamento do Tráfego Aéreo).

Devido à diversidade de tecnologias em sistemas de contenção de drones, as autoridades de segurança deverão realizar um estudo criterioso, aplicando as melhores práticas de engenharia de sistemas para conceber, especificar e implantar sistemas que atendam aos requisitos de detecção, identificação, rastreamento e neutralização de drones.

No campo de inovação tecnológica, cabe mencionar que inteligência artificial (AI), internet das coisas (IOT) e machine learning deverão prover soluções para melhorar os processos de detecção, identificação e rastreamento de drones de diversos portes e com capacidade de voo em diferentes altitudes e velocidades. Espera-se que, no futuro, tenhamos uma solução “bala de prata” de sistema de contenção de drones, que detecte, identifique, rasteie e neutralize qualquer drone e em todos os cenários operacionais de uso em ações mal-intencionadas, ilícitas ou militares.

Há um grande potencial dos sistemas de drones para o uso legal em diferentes áreas, mas o seu uso dual, ou seja, em atividades ilícitas, é uma ameaça real, requerendo ações governamentais e avanços tecnológicos para o aprimoramento de sistemas de contenção de drones para a proteção e segurança nacional e patrimonial.

28
nov

A MODERNIZAÇÃO DO PROCESSO DE OUTORGA NO ESTADO DE SÃO PAULO: A GESTÃO ENTRE A INFORMAÇÃO E O CONHECIMENTO

A MODERNIZAÇÃO DO PROCESSO DE OUTORGA NO ESTADO DE SÃO PAULO: A GESTÃO ENTRE A INFORMAÇÃO E O CONHECIMENTO

RESUMO – A operacionalização dos instrumentos de gestão no Brasil vem evoluindo de forma gradual e apresenta peculiaridades regionais que devem ser observadas. A Política Nacional de Recursos Hídricos prevê arranjos diferentes para cada estado da federação. O estado de São Paulo, em função de inúmeros problemas relativos ao conhecimento de usos e usuários, vem promovendo uma série de alterações no processo global de gestão dos recursos hídricos, em especial na outorga de direito de uso. O objetivo geral deste trabalho é avaliar o sistema de gestão de outorgas no estado de São Paulo e o reflexo das alterações promovidas pelo DAEE no tocante a esse instrumento de gestão. Certamente, muitas das inovações introduzidas por esse novo arranjo jurídico-institucional promoveram melhorias na gestão da água em São Paulo, mas há pontos de melhoria que devem ser explorados, tal como a equidade na legislação da cobrança e a continuidade no processo de desburocratização da outorga de direito de uso, que, de forma mais ampla, está se adaptando ao contexto regional político-administrativo de cada bacia hidrográfica no estado.

Autores:

Nathan Facundes Santos – Especialista em Engenharia de Sistemas – Fundação Ezute, 11 3040 7333, [email protected]

Blas Marçal Sanchez – Engenheiro Civil – DAEE, 11 3293 3129, [email protected]

José Eduardo Campos – Geólogo – DAEE, 11 3293 3215, [email protected]

Ademir José Barba – Especialista em Engenharia de Sistemas – Fundação Ezute, 11 3040 7300, [email protected]

 

Para ler o artigo completo clique aqui

15
jul

Gerenciamento de projetos complexos: conceitos e práticas

Gerenciamento de projetos complexos: conceitos e práticas

Artigo de Delfim Ossamu Miyamaru, Diretor-Presidente da Fundação Ezute, publicado na edição de junho da revista “Tecnologia & Defesa”.

 

A dinâmica dos negócios do século 21 exige que as empresas se mantenham competitivas, reagindo e adaptando rapidamente suas ações para acompanhar as mudanças conceituais, econômicas e tecnológicas. Para tanto, as organizações precisam ser ágeis e fazer tudo certo da primeira vez, sendo capazes de surpreender com os prazos de entrega e executar os projetos com perfeição.

Em vista da dificuldade em realizar a entrega perfeita de projetos, nas últimas décadas várias empresas e organizações têm investido pesadamente em processos de melhoria da gestão de projetos, em aplicação de ferramentas automatizadas e no aprimoramento de competências pessoais.

Surgiram novos conceitos e práticas de gestão de recursos humanos, bem como, procedeu-se à implantação de novos processos organizacionais de desenvolvimento de projetos. Neste contexto vale destacar os diversos processos de certifi cação de avaliação de competências individuais (COBIT, ITIL, etc), os modelos de qualificação da maturidade de integração de sistemas (CMMI da SEI) visando à melhoria de processos internos, bem como a implementação de práticas de melhorias de processos de gestão de projetos (PMBOK do PMI).

O conceito de gerenciar um projeto, em sua essência, é muito simples: consiste em determinar um escopo, criar um plano para atender o escopo e executar o plano. A aparente simplicidade, porém, não se traduz automaticamente em uma empreitada de sucesso.

Os problemas encontrados nos projetos estão cada vez mais complexos. Os projetos têm que ser executados em um ambiente incerto e estão sujeitos às influências externas incontroláveis e em mudança contínua, contra as exigências de múltiplos “stakeholders”, alguns mal identificados e, muitas vezes com exigências incompatíveis entre si. Quando não sabemos exatamente com o que teremos de lidar, estamos com um projeto complexo e não simplesmente um projeto complicado, onde os processos usuais existentes não são sufi cientes para vencer a complexidade. Fazendo as coisas da maneira que sempre fizemos, iremos produzir os mesmos resultados que sempre tivemos e assim entrar no ciclo de uma falha de projeto após o outro.

Embora não exista uma definição universalmente aceita para gerenciamento de projetos complexos, o ICCPM (International Centre for Complex Project Management) identifica como projeto complexo quando:

• é caracterizado pela ambiguidade, incerteza, interfaces dinâmicas e significativas influências políticas ou externas; e / ou

• normalmente é executado durante um período que excede o tempo de ciclo de vida das tecnologias envolvidas; e / ou

• pode ser definido pelo efeito, mas não por solução.

Considerando a natureza imprevisível desse tipo de projeto, que impacta nos custos de recursos envolvidos, e considerando, ainda, as consequências catastróficas de uma eventual falha, a capacidade de gerenciar de forma efi caz os seus riscos é de fundamental importância para o sucesso do projeto complexo.

As práticas tradicionais de gerenciamento de projetos estão baseadas no conceito de reducionismo e na teoria de controle. O conceito de reducionismo sustenta que entidades complexas podem ser melhor compreendidas se reduzidas a suas constituintes mais simples, decompostas utilizando “Work Breakdown Structure” (WBS).

A teoria de controle por sua vez sustenta que, a fi m de atingir melhores resultados, é necessário apenas manipular os elementos constitutivos de um sistema complexo. As ferramentas como a WBS auxiliam na construção de um plano de gestão sólida do projeto, definindo um cronograma firme e prevendo os custos do projeto. Em teoria também pode-se controlar rigorosamente e minimizar as alterações de um projeto, evitando todas as interferências, até que se atinja o objetivo.

Outras disciplinas de gestão, tais como pensamento sistêmico, têm enfrentado desafios semelhantes para fornecer informações que são úteis para gerenciamento de projetos.

O Pensamento Sistêmico (“System Thinking”) desenvolveu, no início dos anos de 1960 métodos para decompor os sistemas em componentes para análise e detalhamento posterior.

O Pensamento Sistêmico tradicional, incluindo Engenharia de Sistemas, concentra-se em fatos, enquanto que as abordagens de projetos complexos exigem múltiplas visões e uma imersão profunda para permitir compreender tais projetos com amplitude e profundidade requeridos.

Tal como acontece com Pensamento Sistêmico, o gerenciamento deve ser capaz de lidar de forma holística com o projeto, aproximando-se ao seu contexto ao invés de isolá-lo ao seu ambiente, uma vez que a maioria dos projetos opera dentro de sistemas maiores (sistemas de sistemas) e que, na verdade, representam os próprios sistemas, compostos de múltiplos sistemas menores interligados.

Em vez de decompor em elementos de base e reconstruir utilizando integração em escala, o gerenciamento de projeto complexo deve usar a abordagem do Pensamento Sistêmico com múltiplas visões para fornecer uma compreensão holística do projeto, abordando os problemas sem limites definidos e sem que linhas de fronteira sejam estáticas.

Tem sido reconhecido que, para lidar com a maior incerteza e ambiguidade, as habilidades de liderança necessárias para gerir projetos nestes ambientes ambíguos e descontrolados estão além das habilidades exigidas para o gerenciamento de projetos tradicionais. Ademais, a transição em curso da “Era da Informação”, com sistemas interrelacionados, para a “Era do Conhecimento”, onde o foco está nas capacidades interligadas em vez de soluções individuais, exige novos perfis de liderança para o gerenciamento de projetos neste novo contexto.

Devido a tais características, os projetos complexos exigem líderes visionários, ao invés de gerentes tradicionais. Caminhando para uma liderança visionária, o primeiro passo é compreender nosso próprio comportamento de liderança e o estilo próprio de ação lógica para interpretar o ambiente e as reações aos desafios, ao poder e à segurança. Conhecendo esta lógica, será facilitado o desenvolvimento de um estilo de liderança mais eficaz. Os novos líderes devem encontrar o correto equilíbrio entre ganhos a curto prazo e o atingimento de metas de longo prazo, avaliar os compromissos na definição e alteração do escopo do projeto, decidir sobre a melhor forma de contratação, fazer escolhas de recursos, gerenciar os riscos, além de avaliar constantemente os resultados dos negócios. Os líderes devem aplicar a intuição, a inteligência emocional e a empatia na construção de relações e manter a confiança ao lidar com a ambiguidade, a incerteza, os riscos e diferentes “stakeholders”.

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29
jan

Grandes projetos ambientais: entendendo e afinando a visão para diferentes escalas

Grandes projetos ambientais: entendendo e afinando a visão para diferentes escalas

29/1/2019

Paula Vieira Rua Pinto Guedes*

O trabalho de gestão ambiental é formado por uma ampla gama de visões distintas, problemas, temáticas, questões sociais, políticas e econômicas que se interpõe sobre questões técnicas multi e interdisciplinares que nenhum curso de graduação ou mesmo de pós-graduação que surgiram nos últimos anos pode suprir.

Tendo trabalhado e estudado desde o início da década de 90 sempre na área ambiental, logo após concluir a licenciatura e bacharelato em Biologia, iniciei minha vida acadêmica realizando Mestrado em Ecologia, na área geoprocessamento e sensoriamento remoto, à época uma área novíssima e moderna, porém o meu objetivo era tentar adquirir conhecimento multidisciplinar, pautando-me na visão dos grandes naturalistas do século XIX, de modo a conciliar o conhecimento das antigas ciências naturais à “high tech” área de geoprocessamento. Também nessa época comecei a perceber e a vislumbrar que, à semelhança dos naturalistas, a teoria sem a experiência de campo não agrega solidez ao conhecimento e à prática ambiental e que o mapeamento atualizado das informações é uma das principais ferramentas para a contextualização e resolução dos problemas do meio ambiente.

E é oriundo da visão espacial, um dos fatores mais determinantes para a adequada problematização, resolução e posterior tomada de decisão das intricadas questões ambientais: a escala de abordagem.

A correta definição e utilização da escala de abordagem ou de trabalho, além de fundamental para projetos de mapeamento propriamente ditos, é relevante e eficaz para o correto diagnóstico e prognóstico dos vários tipos de estudos ambientais.

Apenas para exemplificar a questão das escalas num projeto de mapeamento, por exemplo. No final da década de 90 e início dos anos 2000, o meu primeiro trabalho na área de consultoria ambiental foi no PRODEAGRO – Programa de Desenvolvimento Agroambiental do Mato Grosso, um megaprojeto financiado pelo Banco Mundial que tinha como objetivo o monitoramento e o gerenciamento dos recursos naturais, o ordenamento territorial e a realização de um conjunto de atividades voltadas ao desenvolvimento sustentável do Estado de Mato Grosso. Para isso era necessário realizar um zoneamento agroecológico e o zoneamento dependia de bons produtos cartográficos em escalas compatíveis para várias disciplinas de todo o estado. Assim, durante alguns anos trabalhei no mapeamento da vegetação e uso das terras (do inglês “land use”), ou como se usa frequente e equivocadamente no Brasil, do uso do solo. O projeto contemplou várias expedições de verificação em campo, muito importantes, mas onerosas em termos de custos e de tempo. Já estávamos quase no final dos mais de 60 produtos de mapeamento de vegetação e uso das terras, o orçamento já apertado, quando os clientes, técnicos da secretaria de Planejamento SEPLAN, amparados por renomados professores de botânica da ESALQ/USP e da Unicamp solicitaram não apenas o mapeamento, como também a realização de estudos florísticos e fitossociológicos das áreas de matas de grotões. Certamente seria uma oportunidade única para os pesquisadores estudarem esse tipo de vegetação, era necessário a contratação de helicópteros e escaladores para descerem as matas de rapel após treinamento para a coleta correta do material, além do auxílio de alguns pesquisadores mais corajosos e atléticos. Um trabalho difícil, caro, arriscado. E sem dúvida um grande problema para nós da empresa de consultoria contratada. Seria mesmo relevante para o objetivo do Projeto aquela demanda? Fiz as contas da área de abrangência e da escala de “saída” das matas de grotão no mapa, mostrei aos clientes e professores das universidades que a tal mata não apareceria com mais de 1 ou 2 milímetros de largura no mapa e que a informação coletada, apesar de importante para o conhecimento botânico e científico do Mato Grosso, não era na verdade tão relevante para os propósitos do projeto e… bingo! Conseguimos mostrar aos clientes e professores que aquela pesquisa era de menor importância para os estudos ambientais e as tomadas de decisão pertinentes às diretrizes do ordenamento e zoneamento ambiental do estado.

Depois dessa experiência, ao longo da minha vida e dos vários projetos ambientais que tive a oportunidade de participar, sempre utilizei os conhecimentos advindos da noção de escala assimilados na Ecologia e na Geografia para permear os critérios de escolha e relevância dos temas e a adequada escolha das informações que irão de fato fazer a diferença nas respostas aos desafios e problemas inerentes aos grandes projetos ambientais.

 

*Paula é bióloga na Fundação Ezute

24
jan

A importância da avaliação de qualidade dos produtos cartográficos

A importância da avaliação de qualidade dos produtos cartográficos

Iara Viviani*

A produção de mapas é uma atividade que surgiu há milhares de anos para atender a uma necessidade fundamental do homem: situar-se no mundo. Os mapas são a mais antiga representação do pensamento geográfico e, desde suas origens, revelaram-se uma útil ferramenta a serviço do poder. Anteriores até mesmo à invenção da escrita, eram inicialmente desenhos rudimentares feitos para conservar a memória dos lugares e dos caminhos úteis às suas ocupações. Ganharam relevância com o passar dos séculos, com o aprimoramento na medição e relação entre distâncias e medidas que viabilizaram, por exemplo, o desenvolvimento da navegação e a conquista de povos e novos territórios.

A partir dos anos 1980, a evolução da computação gráfica e dos sistemas gerenciadores de bancos de dados relacionais contribuiu significativamente para a difusão do uso e dos usos dos sistemas de informação geográfica. O Geoprocessamento como campo do conhecimento responsável por aliar técnicas matemáticas e computacionais para o tratamento da informação geográfica permitiu cruzar coordenadas geográficas a um banco de dados e, assim, fazer do mapa uma poderosa ferramenta de apoio à tomada de decisão.

O Brasil é um país de dimensões continentais que possui mais de 207 mil habitantes distribuídos em 5570 municípios. Administrar um território tão extenso e diverso do ponto de vista físico, biológico e socioeconômico requer dados que melhor representem a realidade. Seja, por exemplo, para oficializar limites entre Estados ou municípios em litígio, delimitar áreas prioritárias para a criação de unidades de conservação ou saber das necessidades de mobilidade da população para a criação de novas linhas de ônibus, conhecer melhor sobre onde agir é essencial para a execução de uma política mais eficaz (que atenda ao que se propõe), eficiente (do modo como o planejado) e efetivo (que traga o resultado esperado).

Saber pensar o espaço para saber nele se organizar

Tanto a União quanto os Estados e os municípios precisam de produtos cartográficos que representem adequadamente sua superfície. No entanto, seja por desconhecimento das leis e normas pertinentes, por imediatismo dos resultados ou, ainda, pela falta de uma metodologia prática de qualidade, muitos produtos cartográficos são entregues aquém do solicitado. Infelizmente, esta verificação somente acontece na prática, após o recebimento e pagamento do produto, quando os profissionais vão utilizá-los para suas atividades e os comparam com a realidade espacial.

Para o planejamento, execução ou gerenciamento de qualquer projeto, seja público ou privado, seja de escala global, regional ou local, é de essencial importância trabalhar com informações consistentes, organizadas e atuais. No âmbito público, a Cartografia como insumo para o fomento de políticas públicas deve estar amparada em legislações e normas e procedimentos que garantam a confiabilidade dos produtos cartográficos que, por sua vez, terá impacto direto no valor e na utilidade dos produtos.

No dicionário Michaelis, uma das definições para qualidade é “grau de perfeição, de precisão ou de conformidade a certo padrão”. Para J. M. Juran, um dos grandes nomes da gestão da qualidade, qualidade significa  ausência de falhas ou um conjunto de características que vão ao encontro das necessidades dos clientes, proporcionando a satisfação destes. Partindo das definições postas, podemos concluir que um produto cartográfico tem qualidade quando ou atende a um certo padrão ou não apresenta falhas ou, ainda, quando supre as necessidades dos clientes.

É preciso reconhecer a dificuldade em fazer com que qualquer produto cartográfico seja ao mesmo tempo conforme, sem erros e satisfatório para quem vai se apropriar do produto. No Brasil, para definir a conformidade dos produtos cartográficos há normas como o decreto 89.817/84, que estabelece as instruções reguladoras das normas técnicas da Cartografia nacional, além das normas, padrões e especificações técnicas do Sistema Cartográfico Nacional (SCN) que a Diretoria de Serviço Geográfico do Exército Brasileiro desenvolve e atualiza de tempos em tempos.

De acordo com a NBR 5425 – Guia para inspeção por amostragem no controle e certificação de qualidade –, estudos mostram que, exceto em processos completamente automáticos, sempre há o risco de produtos que não atendam ao parâmetro mínimo de qualidade serem aprovados, seja por erros pessoais, má interpretação das tolerâncias de qualidade, uso impróprio dos equipamentos de inspeção ou da incorreta condução dos ensaios. Informa ainda a NBR 5425 que, conforme estudos, a inspeção 100% sobre condições ótimas é somente 85%-95% efetiva em separar o mau produto do bom produto. É uma ilusão, portanto, afirmar que todo e qualquer produto cartográfico que tenha passado por uma avaliação de qualidade esteja isento de falhas. Para a avaliação de grandes volumes há normas como as NBRs 5425/5426/5427, elaborada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que auxiliam o avaliador na definição pela aprovação ou não de um determinado produto a partir de um risco estatístico previamente calculado.

A terceira definição apresentada para o termo qualidade, “conjunto de características que vão ao encontro das necessidades dos clientes, proporcionando a satisfação destes” é particular e variável conforme o cliente e a necessidade em si. É notável nas licitações e contratos da Administração Pública que os clientes (União, Estados e municípios) costumam expressar suas necessidades na forma de um produto cartográfico quando, na verdade, do que necessitam são os serviços oferecidos, ainda que indiretamente, por esses bens.

Para além da avaliação de qualidade em relação às configurações técnicas do produto cartográfico, somente, é essencial que, seja através da avaliação do processo de confecção do produto ou diretamente do produto final, a avaliação de qualidade deve ser pautada no atendimento aos requisitos mínimos estabelecidos pelo usuário, que deve estar em conformidade com a finalidade de uso do produto.

Cabe, portanto, a quem produzir e/ou avaliar o material se inteirar da finalidade do produto e do modo como este será utilizado para guiar suas atividades e, assim, condicioná-lo às necessidades e conveniência do cliente. Pode-se supor que o custo e o tempo necessário para a realização do controle de qualidade sejam fatores que dificultam a sua execução; porém, não há como medir os custos totais – nem as reais consequências – do uso de um produto cartográfico inconsistente. Fato ainda muito comum, principalmente em prefeituras brasileiras que não possuem profissionais especializados, é a contratação de serviços de mapeamento e produtos cartográficos que, ao final, tornam-se inúteis ou de pouca serventia. Seja porque as configurações técnicas estão aquém do necessário para o uso eficaz, eficiente e efetivo do produto, seja porque o recurso público gasto com o produto ou serviço não condiz com o benefício que trará à população, a importância da avaliação da qualidade de produtos cartográficos para a Administração Pública se justifica, primeiramente, em respeito à coisa pública.

“Fato ainda muito comum, principalmente em prefeituras brasileiras que não possuem profissionais especializados, é a contratação de serviços de mapeamento e produtos cartográficos que, ao final, tornam-se inúteis ou de pouca serventia”. A situação soa familiar para você?

Avaliação da qualidade não é gasto, é investimento.

 

*Graduada em Geografia e mestra em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo. Possui experiência nos setores público e privado e na gestão de equipes e projetos. Atua sobretudo com geoprocessamento. 

9
jan

Consciência situacional, uma necessidade

Consciência situacional, uma necessidade

Artigo escrito por Tarcísio Takashi Muta, presidente da Fundação Ezute, para a Revista Tecnologia & Defesa (nº 155)

Um dos principais desafios para o Estado brasileiro tem sido responder às ações do crime organizado, e em alguns casos dos criminosos comuns. Essa vulnerabilidade é percebida em razão da adoção de abordagens isoladas oferecidas como solução, impedindo avanços sustentáveis na questão, que hoje escala o nível da segurança pública e alcança um patamar mais elevado, que tange a segurança nacional envolvendo diretamente as Forças Armadas.

Há diversos estudos que examinam as razões que levaram a esta situação, e a cada dia fica mais evidente a necessidade de integração de sistemas de inteligência em Segurança e de Defesa no país, em prol de uma consciência situacional aumentada, capaz de resultar em maior êxito nas atividades singulares, conjuntas ou até mesmo combinadas, estas últimas envolvendo pares internacionais.

Conduzida em várias esferas de governo, a estruturação de um Sistema de Sistemas de Segurança e Defesa deve atender às especificidades de cada organização para cumprimento de suas respectivas missões, permitindo a análise dos dados, criação de informações, formulação de diagnóstico conjuntural de diversos cenários e, por fim, o emprego de conhecimento de forma prospectiva, político-estratégica, operacional e tática, nos campos nacional e internacional, de forma a agilizar a tomada de decisão, a análise de inteligência e o planejamento de curto, médio e longo prazo, sem restringir, porém, as operações singulares dos órgãos governamentais e das Forças Armadas.

As ações criminosas têm várias origens dentro do território nacional enquanto outras provêm de países vizinhos, de onde drogas e armamento cruzam a fronteira com o Brasil, ultrapassando a capacidade das ações policiais, sejam elas estaduais ou federais. Desse modo, a criminalidade, antes isolada em área e atuação, tornou-se transnacional e aparelhada, valendo-se de estruturas que são centralizadas no comando, mas descentralizadas na ação e utilização de insumos que chegam ao país através de nossas fronteiras.

Para maximizar as ações contra crimes transnacionais no âmbito da Segurança e Defesa é preciso introduzir modelos de informação e gestão de crise que se valham de uso intensivo de tecnologia, garantindo a integração de conhecimento na proteção das fronteiras, do espaço aéreo e cibernético, dando especial atenção para operações em ambiente interagências, pedra angular de um novo cenário onde os entes da Segurança e da Defesa interoperam para se antecipar ao crime, compartilhando metas, racionalizando esforços, aumentando suas capacidades e entregando resultados mais efetivos à sociedade com relação à ocorrência de ilícitos como crimes de tráfico transnacional de drogas e de armas de fogo, contrabando de veículos, medicamentos e cigarros, evasão de divisas, desmatamento, tráfico de pessoas, e outros crimes sujeitos à investigação como homicídios, incêndios criminosos, roubos, sequestros, vandalismo, etc.

O processo de integração sistêmica entre Segurança e Defesa deve explorar a ação de interoperar um conjunto de sistemas que, de forma construtiva, sincronizada e no timing necessário, transformem seus dados isolados em informações que contribuam para a criação da consciência situacional necessária para planejar e coordenar ações de combate a estrutura de crime que atenta contra a sociedade brasileira.

Este Sistema de Sistemas deve ser gerenciado e mantido por elemento central para orquestrar e potencializar a obtenção dos resultados decorrentes desta interoperabilidade, um Núcleo de Informações de Segurança e de Defesa capaz de responder eficazmente à adoção de uma política pública integrada para essas atividades.

O compartilhamento de informações providas por diversos sistemas já existentes, em desenvolvimento, ou ainda em processo de concepção, permite que seja elaborada, em cada nível, a consciência situacional integrada ao teatro de operações. Desta forma, uma melhor linha de ação poderá ser elaborada desde o planejamento, passando pela tomada de decisão e culminando com sua execução em tempo hábil, em resposta efetiva aos problemas de Segurança que se estendem à Defesa.

Proporcionar a unidade de esforços é, sem dúvida, o empreendimento cooperativo mais relevante da atualidade, no que concerne ao gerenciamento de crises e otimização do emprego de recursos, sejam eles humanos, logísticos ou financeiros. Essa condição envolve, além das forças de Segurança e das Forças Armadas, grande número de órgãos e entidades da administração pública. Em algumas situações, organizações não governamentais, empresas privadas e organismos internacionais poderão ser incluídos nesse modelo, como partes interessadas e até mesmo como atuantes. A Defesa situa-se como um dos vetores principais de referência, dentro da linha de ação adotada, para a prevenção de ameaças, reação a hostilidades ou para gerenciamento de crises, junto de outras estruturas de poder do Estado e da sociedade.

Consciência situacional é um conceito chave em qualquer domínio no qual o aumento da complexidade no teatro de operações pode afetar adversamente a tomada de decisão. Ter um conhecimento da situação completa, precisa e atual e poder atuar de forma conjunta com racionalização de recursos e efetividade nos resultados são condições absolutamente necessárias para o enfrentamento dos desafios atuais no que passa a ser um único domínio, o de Segurança e Defesa do país.

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6
nov

O desafio da governança da defesa cibernética

O DESAFIO DA GOVERNANÇA DA DEFESA CIBERNÉTICA

Artigo de Tarcísio Takashi Muta para a Revista Tecnologia & Defesa

Em um cenário global caracterizado por ameaças externas difusas e assimétricas, baseadas em tecnologias com ciclos de vida muito rápidos, sem controle do Estado e sem vínculos nacionais, a Defesa Cibernética tornou-se o dispositivo fundamental para atender à preservação dos objetivos e interesses dos países. No Brasil, a Estratégia Nacional de Defesa (END) identifica e estabelece parâmetros para essa atividade, juntamente com a Defesa Nuclear e a Espacial, e a coloca sob a coordenação do Exército Brasileiro, em uma concepção sistêmica, e que requer métodos, procedimentos e características que lhe são peculiares.

O espaço cibernético é um ambiente em permanente mudança, que tem a tecnologia como base, formado por uma complexa rede de agentes, equipamentos e locais, cujo aumento significativo de sistemas e redes de informação e comunicação é estimulado a partir de facilidades crescentes de acesso à Internet. Com isso, proliferam também as ameaças e as vulnerabilidades, justificando a urgência do fortalecimento de uma cultura de segurança cibernética e de uma atuação estratégica que considere as suas diversas dimensões, tanto em termos das tecnologias utilizadas, quanto os aspectos sociais e seu inter-relacionamento. Em suma, é fundamental a visão sistêmica.

Do ponto de vista da defesa, esse novo teatro de operações e de conflitos vem se somar às zonas terrestres, marítimas e aeroespaciais, mas seu conjunto de ações é transversal a todos esses domínios, no que se refere à proteção segura dos sistemas de informação e de transmissão de dados para produção de conhecimento de inteligência. Atualmente, são inúmeros e variados os meios e as ferramentas que compõem o espaço cibernético, envolvendo redes de comunicação, aplicativos, tecnologias de informação, inteligência artificial e a chamada internet das coisas, que abrange de celulares a relógios, óculos, e muitos dispositivos que ainda iremos conhecer. A própria automação da indústria 4.0 e num contexto mais amplo o desenvolvimento das cidades inteligentes, se dá com base na utilização desses meios.

São notórias as dificuldades para tomadas de decisões relacionadas ao gerenciamento da segurança cibernética, especialmente pelos grandes volumes de dados envolvidos. Isso exige a implantação de controles, a atualização sistemática das práticas e procedimentos adotados para os sistemas de informação, desde o estabelecimento de requisitos direcionadores até uma gestão de segurança que permita avaliar riscos e capacidade de resposta diante de eventuais incidentes.

A palavra chave para o êxito do enfrentamento dessas ameaças é resiliência. Não basta apenas estar apto a se defender, mas sim poder principalmente antecipar, e também prover uma rápida reação, com capacidade de mudança e adaptação à nova realidade no caso de um ataque. Nesse novo teatro de operações é preciso otimizar ao máximo a capacidade de manter as infraestruturas críticas operando sob condições de ataque, ou de restabelecê-las após uma ação adversa, sem chances de quebra. As fronteiras nesse novo ambiente não são tão claras quanto as dos domínios clássicos. O ambiente cibernético oferece mais condições para que um indivíduo, não necessariamente vinculado a um Estado, possa ameaçar ou provocar danos, em termos nacionais ou mesmo globais, impedindo a disponibilidade, integridade, confidencialidade e autenticidade de dados e informações, e afetando sistemas vitais para o funcionamento das sociedades.

É um novo ambiente, totalmente assimétrico, não é mais uma questão de país contra país. Nesse novo espaço cibernético, como não há mais fronteiras, os controles ficam fragilizados, o que exige outro paradigma, outra forma de se defender. A inteligência artificial permite que os dispositivos estejam vinculados à internet e rapidamente se reconfigurem, obrigando quem tem a responsabilidade pela defesa cibernética a desenvolver a capacidade de aprender e reaprender rapidamente com as situações.

O soldado cibernético, por sua vez, necessitará formação complementar específica e com visão sistêmica. Será um profissional altamente especializado, que terá como desafio monitorar essas novas fronteiras assimétricas em constante mutação, identificar ameaças e configurar respostas que possam impedir a sua concretização, neutraliza-las e se necessário contra-atacar.

Para tanto serão necessárias mudanças de comportamento e até alterações culturais, para definir mais prontamente o tipo de capacitação e conhecimento mais adequados para permitir que esse novo soldado possa atuar na plenitude da sua eficiência e eficácia. Será importante também definir qual será a sua missão e pensar na estrutura estratégica necessária para otimizar sua atuação nesse novo contexto.

O desafio, portanto, é estratégico, tático e operacional. Será fundamental harmonizar as condições de compartilhamento de informações com a proteção, segurança, confidencialidade e privacidade, e contextualizar esse novo teatro de operações como um domínio da defesa no qual os agentes públicos e privados se organizam para oferecer respostas rápidas. E, na visão dos especialistas, serão mais bem sucedidas em dar respostas a esse novo tipo de desafio as sociedades que puderem se organizar através de uma modelagem institucional da sua atuação em termos da governança da defesa cibernética.

Como ressalta a doutrina de defesa cibernética do Ministério da Defesa, esse novo cenário estratégico exige a atuação integrada de vários órgãos, sejam civis ou militares, cada um com atribuições específicas, mas com um modelo de atuação em um ambiente interagências. Nesse sentido, no âmbito da responsabilidade e sob a coordenação conferida pela END ao Exército Brasileiro, seria recomendável o estabelecimento de uma estrutura de alto nível na administração pública, que seja responsável por interagir de forma mais livre e direta com todos os interessados.

Um organismo que funcione como um grande facilitador em um ambiente colaborativo, com procedimentos pré-estabelecidos e informações que estejam disponíveis para todos os entes envolvidos, sejam governamentais, sejam organismos da sociedade, comprometidos há mais tempo com as novas tecnologias que balizam esse domínio e, portanto, capacitados a atuar no sentido de impedir que sistemas estratégicos vitais sejam afetados por uma ameaça ou um ataque direcionado a um ou mais desses agentes. E que em sua configuração propague, também, informações para a sociedade, permitindo que o maior número possível de cidadãos tenha informações sobre as questões que envolvem a segurança do sistema a partir de práticas seguras na circulação de dados pessoais na internet.

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3
set

Fundação Ezute amplia sua atuação como honest broker

Fundação Ezute amplia sua atuação como honest broker

Artigo de Eduardo Marson Ferreira, presidente do Conselho Consultivo Estratégico da Fundação Ezute 

O momento em que o Brasil se prepara para escolher seus novos governantes coincide com um período no qual o país precisa desenvolver uma série de projetos de interesse nacional que exigem visão sistêmica, além de uma atuação integradora e gerencialmente eficaz para obter resultados. É nesse ponto que uma honest broker como a Fundação Ezute tem condições de ampliar sua atuação, exercendo um papel de fundamental importância para o país.

O papel de uma organização desse tipo deve ser pensado como de uma articuladora isenta, capaz de conciliar os interesses, os objetivos e o timing governamental, acadêmico e da iniciativa privada, que muitas vezes não são iguais, em projetos intensivos em conhecimento, com foco estratégico em sistemas tecnológicos complexos e aplicação de tecnologias críticas, com alto valor agregado. Grande parte desses projetos envolve questões de soberania e inserção do Brasil em um novo posicionamento geopolítico global, e por isso dependem de uma organização que reúna dados de especialistas, estudos estruturados e metodologias consagradas para o desenvolvimento de soluções, e que possa atuar como uma mediadora isenta, trabalhando exclusivamente no interesse público.

A expressão honest broker foi criada na cultura anglo-saxônica, ainda na era medieval, para designar um árbitro independente cujo papel era dirimir as disputas entre súditos. Modernamente, o termo ganhou novo significado quando a Força Aérea dos EUA, no final da década de 1950, encomendou ao laboratório de pesquisas do Massachussets Institute of Technology (MIT) o desenvolvimento de um sistema de defesa aérea para o país, e logo percebeu que esse trabalho deveria ser conduzido por uma corporação privada sem fins lucrativos, livre de conflitos de interesses, para poder realizar um trabalho de articuladora independente em um projeto de conhecimento estratégico que envolvia pesquisa, desenvolvimento, inovação e defesa da soberania, com vários atores.

Essa foi a origem da MITRE Corporation (de MIT REsearch), uma organização que desde então exerce o papel de honest broker, oferecendo apoio à gestão pública, ao desenvolvimento tecnológico e à resolução de problemas complexos da administração dos EUA, com uma atuação integradora e através de uma visão sistêmica, mantendo uma equidistância saudável entre as entidades governamentais, as empresas industriais e de serviços, a academia e outros institutos de ciência e tecnologia.

Um exemplo de projeto de interesse nacional que revelou uma atuação integradora com visão sistêmica no Brasil foi o Sivam, o Sistema de Vigilância da Amazônia. O projeto exigia a concepção e integração de um inovador sistema de inteligência, constituído por vigilância e controle do espaço aéreo numa região sujeita a ocorrências de ilícitos, como a Amazônia Legal Brasileira. Um grande “sistema de sistemas” que depois de desenvolvido pudesse ser repassado para a indústria nacional fazer evoluir como produto, o que efetivamente aconteceu. A Fundação Ezute exerceu esse papel e, desde então, tem atuado no gerenciamento de grandes projetos governamentais de tecnologia para outros setores, como segurança pública, saúde, transporte, saneamento e energia.

A falta de visão sistêmica e gestão integrada em projetos resulta, na maioria das vezes, em desperdício de tempo, energia e, principalmente, de recursos que deveriam ser empregados para atender às necessidades da sociedade. Detectar uma necessidade, equacioná-la a partir de dados científicos e propor uma solução por meio de uma metodologia sólida e reconhecida é o papel que se espera de uma honest broker como a Ezute.

No vasto campo existente no Brasil para atuação de uma organização com essas características, a Fundação Ezute destaca-se por responder aos desafios privilegiando o pensamento sistêmico, a partir do uso da ciência organizacional e da adoção da moderna governança dos processos. A Fundação Ezute consegue atrair as melhores mentes científicas, proporcionar ambiente favorável à pesquisa, realizar análise independente e imparcial, dar sobrevivência de longo prazo aos trabalhos e desenvolver as tecnologias adequadas aos problemas. E faz tudo isso com absoluta isenção e confidencialidade, permitindo que governo, academia e setor privado possam adotar as melhores soluções para os desafios complexos que envolvem o interesse nacional.